4ª Noite da Novena em honra ao Divino Espírito Santo

Com o início de mais uma semana e nesta especialmente em oração pela unidade dos cristãos e em preparação a festa de Pentecostes, fiéis se reuniram novamente às 19h deste dia 3 de junho com o objetivo de participar da 4ª noite da novena em honra ao Divino Espírito Santo. Esteve presidindo a celebração o Pe. Eberson Fontana e co-celebrando Pe. João Gheno Neto, cujo tema da noite foi: Formação de discípulos missionários.

Dando ênfase a temática, Pe. Eberson na homilia nos fez refletir sobre a missão, que a mesma não dá trabalho para a igreja, a missão é o trabalho da igreja, ser discípulo missionário, o convite que a temática da noite nos faz nesta novena do Espírito Santo, um convite muito pertinente, pois afinal quem impele os discípulos a serem missionários é o Espírito Santo, é isso que celebramos nos últimos dias neste tempo da Páscoa vem falar. E o convite para hoje é de refletirmos como compreender o caminho para formação para os discípulos missionários; como se tornar este discípulo de Jesus, como encontrar a profundidade da vida que no seguimento de Jesus Cristo encanta e também gera em outras pessoas esta mesma postura de discípulo, é um desafio bem grande, esperamos que a gente consiga.

E o primeiro desafio é bem este, “Ser Discípulo” em primeiro lugar. Discípulo é aquele que segue Jesus, que ouve a sua palavra e que tem uma postura diferenciada por que vai se deixando trabalhar, sentir, e o evangelho de hoje aponta caminhos, ao mesmo tempo que é bastante questionador no ato de ser discípulo. Marcos, nesta passagem que ouvimos, ele coloca Jesus que está formando os discípulos, que é os 12 que ali estão, porém Jesus estava vendo que não dava certo; os discípulos em Marcos são mais teimosos do que em outros evangelhos, que também são; em Marcos parece ser mais difícil ainda, Jesus quase desistiu, ele deve ter pensado, será que vale apena, será que Eu escolhi mal, será que eu continuo mesmo?, e então ele resolve interromper a formação que estava fazendo e começa de novo, vamos de novo do início, e é essa passagem que nós começamos a ouvir; é uma passagem que nos demonstra que há uma crise de fé muito grande, uma crise no ato de ser discípulo, de seguir Jesus. E por onde agora Jesus resolve recomeçar?, Ele faz algo surpreendente, Ele vem em missão; se fosse um de nós e estivesse na postura de Jesus, de repente faríamos uma palestra ou algo do tipo, porém Jesus ele aponta os atos, ele envia aqueles que nem se quer fé tinham ainda o suficiente para ser chamados de discípulos, e agora seguiam em missão e encontrar outras pessoas, é Jesus é muito corajoso e assim nós vamos percebendo essa dinâmica que se aplica a todos nós.

Temos nossas crises de fé, nossas dificuldades como Igreja, o que fazer muitas vezes, também precisamos recomeçar assim como Jesus, e o recomeço que inicia com a missão, nos coloque em contato, nos desafie a ir em busca dos espaços. E quem é enviado em missão são os 12, Jesus faz questão de chamar os 12, 12 era o número das tribos de Israel era o povo de Deus, agora a partir desta atitude missionária inauguramos um novo povo de Deus. Também hoje Deus nos delega, nos envia como missionários, e a gente poderia pensar: “não missão é para aquelas pessoas que são especialistas em missão, fazem missão toda a vida, passam nas comunidades, isso é ser missionário, a gente não sabe fazer isso”, mas Jesus pede pra todos, os 12 e cada um que está aqui. De repente alguém que entrou pela primeira vez na comunidade nem sabe o que está acontecendo, vai junto também todos são chamados a ser missionários, é ali que se aprende a ser discípulo.

O segundo desafio que aparece neste Evangelho é o de “Superar o Individualismo”, Jesus envia dois a dois, Ele não deseja pessoas solitárias, de repente até estrelas, eu vou converter muita gente, porém Jesus não quer, Ele deseja que se aninhem dois a dois, que assim superem a postura autossuficiente e que tantas vezes toma conta de nós, quando as coisas estão dando certo, quando as pessoas ouvem elogios, temos esta grande tendência de o poder subir a nossa cabeça e assim acharmos que somos os melhores. E na evangelização isso também acontece, a vaidade também nos pega e é um dos grandes pecados que pode atingir os discípulos, desta forma Jesus não deseja astros, Ele deseja que no dia a dia, pensando junto, em conjunto eles sejam capazes de anunciar. E na época isso era muito radical, pois o Império Romano não gostava nenhum pouco quando as pessoas começavam a se unir. Falar em Deus era tranquilos, os romanos acreditavam em tantos deuses que um a mais um a menos não teria problema, porém agora quando começa a anunciar um Deus diferente, um Deus que ajuda as pessoas a pensarem sobre sua própria vida, ao olhar ao seu redor, um Deus que se importa com sua condição e que não aceita a condição de exploração, ai começa a mexer. E hoje parece que estamos do jeito que o diabo gosta, muito isolados, cada vez mais na família, na comunidade, como superarmos isso?, como acreditar na força da comunidade? O ato de estarmos todos juntos hoje me fez perceber as pessoas olhando ao redor, é uma alegria eu não estou sozinho, seguir a Jesus não é um gesto solitário, é um gesto de comunidade, por isso Jesus envia dois a dois, para que eles caminhem juntos, partilhem as dificuldades, os sofrimentos, mas também ajudem outras pessoas a caminharem juntas, e assim vai se formando discípulos, vai se formando neste hábito de ser discípulo missionário, mas também de partilhar de caminhar junto com alguém.

O terceiro desafio que aparece é “Para Onde Ir”, e aqui poderíamos recordar de ir aos mais pobres, aos mais excluídos, Jesus no início do evangelho supera as tentações, e por sinal quem foi que levou Jesus até as tentações foi quem mesmo?, não foi o demônio, foi o Espírito Santo que levou Jesus as tentações, e uma delas é a de dar pão para todo mundo, como se caísse do céu, não falta mais, e por que isso é uma tentação?, por que é preciso organizar, estar ao lado dos pobres não pensar em uma solução mágica, e é isso que Ele nos faz, Ele envia os discípulos aos mais excluídos, aos mais afastados, e assim poderíamos recordar de São Francisco que também ensina isso, a importância de estar ao lado de ser um como os pobres e não apenas de levar algo para os pobres, o que no mundo de hoje já é o bastante, mas o evangelho é ainda mais radical ele nos desafia a esta postura missionária, e Jesus nos mostra que esta atitude arrogante baseada nos bens, não vai encantar mesmo a ninguém, as vezes ela encanta a gente mas não encanta mais ninguém. Por isso para ir em missão é preciso deixar tudo para trás, nada de levar coisas demais, pois vai esquecer a centralidade ou vai fazer com que essa vida não encante, o estilo de vida que encante e que também encantava Jesus é a sua simplicidade, a capacidade de se libertar de tudo aquilo que impediria de chegar as pessoas, não ficar falando de si, “olha só o meu celular novo”, não tem que falar isso, mas contemplar aquilo que a pessoa está vivendo, aquilo que ela sente, a sua realidade, as suas angústias, isso também é parte de ser discípulo missionários, assim Jesus também mostra essa face misericordiosa de Deus. E é para ir nas casas, dois a dois sem levar muitas coisas, nas casas, por que será nas casas?, por que é na casa, na sua intimidade que as pessoas colocam aquilo que está vivendo, assim como o Padre muitas vezes faz a experiência de ir até a casa, conversar bastante, fazer uma oração até aí tudo bem, de repente quando estava quase saindo a pessoa coloca uma situação que estava vivendo, que até mesmo durante a oração não teve coragem de falar, porém criou uma ligação mais profunda na conversa que a pessoa colocou a situação que vivia pedindo ajuda. Então podemos ver como é interessante o que Jesus ensina, vão pelas casas, contemplem a vida das pessoas, tenham coragem de ter essa atitude.

Por fim, o último desafio que aparece é anunciar a pessoas de Jesus Cristo ali naquele espaço, na casa junto aos mais pobres sendo também discípulo, o evangelho fala da importância da conversão, a conversão é a mudança da direção é a mudança de caminho, é viver agora o reino de Deus que Jesus está anunciando e a leitura que ouvimos, deixa muito claro a importância de anunciar a pessoa de Jesus Cristo, aqui temos Filipe que se aproxima de Eunuco, uma pessoa estrangeira da qual jamais esperaria essa atitude, mas ele tem a busca ele está vendo o profeta Isaías, porém não entende nada, mas ele quer buscar ele quer ajuda, essa pessoa quer dar um passo para a fé em busca da pessoa de Jesus Cristo. Mas antes disso, também Filipe tem essa postura bem bonita de discípulo, ele não chega contando história, ele chega e quer renovar, primeiro ele ajuda, lembram dois a dois, e no caminhar é que surge a pergunta, surge a busca e então Filipe vai mostrando a direção o caminho, como a pessoa de Jesus Cristo abre a visão, transforma o horizonte e assim o projeto de Deus vai acontecendo e após isso novamente vem o Espírito Santo, Ele entra em ação e arrebata Filipe, leva-o embora desta situação, mostrando para o Eunuco que agora ao encontrar a pessoa de Jesus Cristo em sua vida, ele tem condições de caminhar sozinho, ele também já pode ser discípulo ele precisava ouvir este primeiro anúncio da pessoa de Jesus, e agora ele vai feliz para o seu povo e continua com a palavra na mão, mas agora ele tem achado a leitura para entender a palavra.

Então, ser discípulo missionário é uma tarefa desafiadora para todos nós, precisamos entender esta postura de discípulo, perceber o que ela significa, ter essa coragem de recomeçar tantas vezes em nossa vida como Igreja também, é isso que o Papa Francisco tanto insiste, superar o individualismo, ir até os mais pobres e anunciar a pessoa de Jesus Cristo.

E aqui estamos nós, somos convidados a sermos esses discípulos missionários a sermos essa Igreja em saída, a expressão que ficou bem conhecida do Papa Francisco, a Igreja que não tem medo de se machucar, de se sujar por estar em missão, por ter coragem de falar sobre a pessoa de Jesus Cristo, ir ao encontro das mais diferentes realidades, e se nós estamos aqui queremos pedir que o Espírito Santos, Ele possa nos iluminar nesta tarefa, como foi refletido não é uma conquista pessoal ser discípulo, é uma graça de Deus, Ele conta com cada um de nós como instrumentos.

Informações

Júlio César Rossoni

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