5ª Noite da Novena em honra ao Divino Espírito Santo

Já chegamos a 5ª à noite da novena em honra ao Divino Espírito Santo, e nesta terça-feira 04 de junho, mais uma vez tivemos a igreja lotada de fiéis proclamar sua fé e devoção ao Divino. A frente da Presidência desta celebração esteve o Pe. Alírio Angheben e co-celebrando o Pe. João Gheno Neto, com o tema: Caridade fonte e expressão da missão.

Por este motivo em sua homilia Pe. Alírio nos trouxe presente o seguinte a seguinte reflexão:

O tempo Pascal dura 50 dia, vai até a festa de Pentecostes, festa dos dons do Espírito Santo. É tradição da Igreja Católica unir-se em oração, durante os nove dias que antecedem, para implorar a graça de acolher esses dons de coração aberto e disponível, possibilitando que a graça divina frutifique em nós e se traduza em frutos de bênção para a nossa vida.

A festa de Pentecostes, celebra 50 dias depois da Páscoa é uma das mais importantes datas dentro do calendário da Igreja Católica. Para os judeus, Pentecostes era uma grande festa em ação de graças pelas colheitas do trigo. Era chamada festa das sete semanas por ser celebrada 50 dias após a festa da Páscoa. Daí o nome de Pentecostes, que significa “quinquagésimo dia”. No primeiro Pentecostes, depois da morte de Jesus, o “Espírito Santos desceu sobre a comunidade cristã de Jerusalém na forma de línguas de fogo; todos ficaram cheios d’Ele e começaram a falar em outras línguas” (At.2,1-4). E Santo Antônio num de seus sermões, explicou o significado, o que quer dizer “falar em outras línguas”. Segundo ele: “Quem está cheio do Espírito Santos, fala diversas línguas. Diversas línguas são vários testemunhos a respeito de Cristo, isto é, humildade, paciência, pobreza, obediência, as quais falamos quando as mostramos aos outros em nós. O falar é vivo quando as obras falam. Cessem as palavras, falem as obras. Estamos fartos de palavras, mas vazios de obras e, por isso somos amaldiçoados pelo Senhor, que amaldiçoou a figueira, na qual não encontrou frutos e sim apenas folhas”.

Mas quem é o Espírito Santo? No Credo professamos com fé: “Creio no Espírito Santo que é o Senhor e dá a vida”. Então, a primeira verdade a qual aderimos no Credo é que o Espírito Santo é Kyrios, é o Senhor. Isso significa que Ele é verdadeiramente Deus, como é Deus: O Pai e o Filho objeto do mesmo ato de adoração e glorificação que dirigimos ao Pai e ao Filho. O Espírito Santo, de fato, é a terceira pessoa da Santíssima Trindade; é o grande dom do Cristo Ressuscitado que abre a nossa mente e o nosso coração para a fé em Jesus Cristo como o filho enviado do Pai e que nos conduz para a amizade e a comunhão com Deus.

Deixemo-nos conduzir pelo Espírito Santo, deixemos que Ele fale ao nosso coração e nos diga: que Deus é amor, que Deus é Pai, que Ele nos ama, que Ele nos perdoa, que Ele caminha conosco nas estradas da vida, que Ele nos confiou uma missão a realizar e que Ele nos espera, um dia, para estarmos com Ele na glória do céu. Sintamos o Espírito Santo, escutemos o Espírito Santo e sigamos adiante pelo caminho que Ele nos indicou: o caminho do amor, o caminho da misericórdia, do perdão, o caminho da caridade, da partilha e da solidariedade.

Em cada celebração de Pentecostes, celebramos mais um aniversário da Igreja. Quanta coisa já aconteceu na história da Igreja e temos muito para agradecer, mas também temos ainda um longo caminho a percorrer. O Espírito Santo nos impulsiona, nos inspira, nos encoraja, e se as coisas não acontecem como desejaríamos é porque nem sempre estamos aberto à sua força e sua à sua ação.

O principal objetivo da nossa missão neste mundo é difundir e anunciar pelo mundo todo o amor de Deus Pai providente, bondoso, compassivo e misericordioso. E o amor de Cristo nos impele a fazer este santo trabalho, pois Deus quer que todos os povos cheguem ao conhecimento da verdade e sejam salvos. Deus quer a salvação de todos pelo conhecimento da verdade e pela prática do amor e da caridade. Não pode haver a salvação sem a verdade, sem a cruz e sem a caridade. E a Igreja que somos nós, devem ir ao encontra das ovelhas desgarradas, levando-lhes esta mesma verdade, que é o próprio Jesus. Por isso ela tem de ser missionária, tem que sair, tem de se expandir, por que ela crê no projeto universal de salvação, iniciado por Jesus, nosso Senhor.

A origem e a finalidade da missão, o mandato missionário de Jesus tem sua forte última no amor eterno da Santíssima Trindade: “A Igreja peregrina é, por sua natureza, missionária. Pois ela se origina do Filho e da missão do Espírito Santo, segundo o desígnio de Deus Pai”.

E o fim último da missão não é outro senão fazer os homens participarem da comunhão que existe entre o Pai e o Filho em Espírito de amor.

Aquela passagem do Evangelho que marca o início da vida pública de Jesus, deveria ser suficiente para fazer-nos entender melhor o Espírito Santo e a missão da Igreja. Chegando Jesus em Nazaré, onde se criará, entrou num sábado na Sinagoga e se levantou para fazer a leitura. Abrindo o livro do profeta Isaías, Jesus leu a passagem onde dizia: “O Espírito do Senhor está sobre mim por que Ele me ungiu para evangelizar os pobres; enviou-me para anunciar ao prisioneiros a libertação, aos cegos a recuperação da vista, para pôr em liberdade os oprimidos e para anunciar um ano de graça do Senhor” (Lc.4,4-19).

Jesus, tomado pelo Espírito Santo, parte para sua missão de evangelizador e libertador. No dia de Pentecostes, também os primeiros discípulos, sacudidos pelo vento e pelas chamas do Espírito Santo, dão testemunho do Ressuscitado, enfrentando os poderosos, enfrentando os perigosos, as perseguições, o sofrimento e a morte.

Costuma-se dizer que o Espírito Santo tem duas asas: porque, de um lado, o Espírito nos leva à oração, à interioridade, à paz, nos leva ao encontro com Deus; de outro lado, leva-nos à ação, ao compromisso, à luta, nos leva ao encontro dos irmãos para amá-los e servi-los. O mesmo Espírito, dos dois lados! Ele nunca nos leva às nuvens, à indiferença, à omissão, pois Ele é o “Espírito da Verdade”, o “Espírito da Vida”, é “Ventania e Fogo”, o “Pai dos Pobres”. Esse é o Espírito enviado no Pentecostes: o Espírito das duas Asas abraçando a terra e o céu, abraçando o Deus Pai e os irmãos.

Com o Espírito Santo em nossa vida, todas as portas se abrem, como aconteceu no dia de Pentecostes, e somos transformados em medrosos em corajosos, de curtos de inteligência em sábios das coisas divinas. Sem o Espírito Santo as portas de nossas vidas se trancam, se fecham para Deus e os irmãos.

O Espírito Santo carregou os Apóstolos para fora do senáculo, os fez missionários corajosos e decididos, fervorosos anunciadores da Boa Nova de Jesus para o mundo todo.

Devemos fazer o mesmo: nos transformarmos em discípulos e seguidores de Jesus, em ardorosos e corajosos missionários, anunciadores do Evangelho de Jesus, o Evangelho da vida, da caridade e do amor.

E o que significa celebrar Pentecostes na nossa vida de cristãos? Certamente significa recordar o dinamismo missionário das comunidade primitivas, a ânsia saudável de pregar Boa Nova, a certeza absoluta de que Jesus Cristo abençoava o projeto de formação de comunidades vivas e atuantes em todas as partes do mundo conhecido. Pentecostes é a solenidade da constituição carismática da Igreja, a festa da universalidade do projeto de Redenção, a celebração da igualdade entre os fiéis e da diversidade dos dons dispensados sobre os homens.

Em Pentecostes, a Igreja toma consciência de sua vocação missionária, que se concretiza pelo testemunho qualificado, em nome de Jesus Cristo, para todas as nações, culturas e povos. A catolicidade e a ecumenicidade somente não entendidas a partir da ação singular do Espírito Santo sobre os fiéis cristãos.

Pentecostes recorda-nos, o mistério pascal de Cristo e lhe dá certeza e garantia. Pela liturgia a Igreja, invocando o Espírito Santo, torna presente, no sacramento da Eucaristia, o mesmo Cristo morto e Ressuscitado, sob as formas do pão e do vinho. É o Espírito Santo que suscita vocações, anima as comunidade, distribui dons e carismas e fortalece na missão. O Espírito renova constantemente, desde Pentecostes, a vida eclesial. Por isso, a liturgia de Pentecostes canta em uníssono: “Envia teu Espírito Senhor e renova a face da terra”.

Quero concluir esta nossa reflexão com esta oração: “Ó Espírito Santo, Espírito de verdade de amor, desce também sobre cada um de nós sob a forma de línguas de fogo. No fogo queima o nosso egoísmo, o nosso individualismo, o nosso comodismo, e as nossas omissões; no fogo purifica os nossos maus desejos, purifica as nossas más inclinações, purifica a nossa mente e o nosso coração. No fogo tempera a nossa vontade, o nosso ser, o nosso querer e o nosso agir; no fogo do vosso amor solda e une os nossos corações naquela concórdia e caridade que nos faça testemunhas e missionários de Cristo até os confins da terra”. Amém.

Informações

Júlio César Rossoni

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