A participação com o Dízimo na comunidade

Existem muitas formas de participação na vida da Igreja. A melhor de todas é, como diz o próprio termo, tomar parte da ação, estar envolvido na comunidade, preocupado com a ação evangelizadora. E quanto mais a pessoa assume a sua função na comunidade mais ela vai entender a função de ser dizimista.

Em outros tempos, as pessoas tinham uma participação restrita na comunidade, cabendo aos leigos assistirem a missa, e assistir com sua compreensão assim: assistir! Pois era em latim, com um rito estranho a maioria das pessoas, as quais iam à igreja para assistir a missa. Cabia aos leigos também a participação na parte social da comunidade, organizando os almoços e festas dos padroeiros, os chamados fabriqueiros. Esta era a participação econômica das famílias com a igreja, que sobrevivia das festas, do valor pago para realização dos sacramentos e outras taxas.

Com o passar do tempo se instituiu o dízimo nas comunidades. Mas o nosso dízimo foi introduzido na comunidade com a função de sociedade, ou seja, os sócios pagam a taxa por pertencerem a uma determinada paróquia, dentro de um território delimitado. Essa forma do dízimo também era chamada de anuidade, centésimo, e tinha como função a contribuição econômica das pessoas por serem sócias.

Com o Concílio Vaticano II houve uma mudança na forma de entender o papel dos leigos na Igreja, pois pelo batismo os leigos são o Povo de Deus, responsáveis pela ação evangelizadora no mundo. Neste sentido, a própria compreensão do que é o dízimo na Igreja mudou, já que ela não é a sociedade mas a comunidade. E na comunidade todos são responsáveis para que o Evangelho seja prioridade.

Agora, como manter a comunidade de forma evangélica e responsável? Através do Dízimo. Mas é uma taxa? Não!

O Dízimo é a minha responsabilidade com a comunidade da qual eu amo, pertenço e me sinto responsável.

O Dízimo é para enriquecer quem? O Dízimo não tem função de acumular, pelo contrário, ele é o gesto mais bonito de partilha. A partir do momento que me sinto parte da Igreja partilho um pouco do que possuo para auxiliar na manutenção pastoral e econômica da comunidade.

Mas fica para quem esse dinheiro? Para a própria comunidade que tem suas obrigações legais para cumprir, os funcionários que auxiliam nas funções pastorais e na casa, todo o investimento em formação pastoral, envolvimento nas atividades da Igreja, o trabalho com os pobres, o sustento dos padres, enfim, é para conseguir manter as funções da comunidade em dia.

É uma esmola? É uma taxa? É uma sociedade? Não! Não! Não! É uma participação. A partir do momento em que eu me sinto responsável pela comunidade eu também sei do que a Igreja precisa para levar a diante o evangelho e o projeto de Jesus Cristo. Quando participo com o dízimo estou contribuindo, não é pagamento, não é anuidade de um clube, não é taxa para as coisas sagradas. É uma participação!

Mas se paga o dízimo e não vai na igreja vale? Também é uma compreensão equivocada. Parece que pagar o dízimo é um descarrego de consciência. E não é bem assim. Dízimo é partilha e responsabilidade.

Ah, mas pago o dízimo e tá bom! Que expressão feia! Tem muitos que pensam assim e o seu dízimo não é uma oferta agradável ao Senhor! É uma expressão terrível do que é ser cristão: um corrupto religioso.

Com esse texto, o desejo é orientar nossa comunidade sobre o papel fundamental do dízimo na comunidade e que a partilha seja feita com alegria. O valor tem como único objetivo ajudar a manter as funções pastorais e cuidar da estrutura comunitária, mantendo os trabalhos em dia e cumprindo com nossas obrigações legais da Igreja diante das situações do mundo. Neste sentido, desejo que todos os paroquianos sintam-se parte da Igreja e responsáveis pela Igreja!

Pe Mateus Danieli – Pároco.

Informações

Júlio César Rossoni

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